Profissionalismo para além da aparência ou idade



 
    8h da manhã. Vesti o casaco, enrolei o cachecol em volta do pescoço, coloquei a mala no ombro, abri a porta. Ao chegar à rua inspirei o ar gelado. Realmente gelado. Era o primeiro dia de primavera. Uma primavera preguiçosa. A neve continuava a cair. Tudo era branco, branco, branco. E tendo os meus olhos limitados ao branco, dirigi-me com cuidado, caminhando sobre o gelo que cobria o chão,  até à paragem do autocarro. Pouco depois ele chegou, parou e eu entrei. Ao entrar aqueceu-me a alma, porque o corpo levaria um pouco mais de tempo,  um grande sorriso e um entusiasmado:

      - Bom dia! Como está?-  cumprimentou o motorista,  a que eu respondi também com um sorriso e um muito obrigado.
    Este grande cumprimento, não foi dirigido apenas a mim, mas a todos os passageiros que iam entrando e saindo. Foi como um raio quente, num lugar tão gelado!  Esta simpatia faz parte de um profissionalismo, que tenho o prazer de  encontrar,  não apenas nos autocarros, mas nos mais variados serviços ao público, aqui em Edmonton. Isto resulta num cliente satisfeito. É muito bom sentir que, quem nos está a prestar um serviço, não o está a fazer por obrigação. Que não nos olhe , como se dissesse ´´ Despache-se. Tenho mais gente para atender. ``
      Este resultado positivo é consequência de, quando alguém  se candidata a um emprego, poderá descansar na certeza de que não será escolhido pela aparência ou pela idade. Posso ver em qualquer local de trabalho,  pessoas de todas as raças, idades e muitas vezes com uma aparência  que infelizmente em muitos outros países, sobretudo na Europa, não seriam aceites. Talvez quando o aspeto físico ou a idade deixarem  de ser um requisito para alguém conseguir um emprego, tudo comece a funcionar melhor, nessas tais sociedades, que gastam boas somas de dinheiro, entrevistando gente que precisa de trabalhar e não gastar horas em filas de espera. Procuram modelos perfeitos que oferecem ao cliente, um atendimento que contradiz a melhor das aparências. Mais uma vez, se a prioridade for a qualidade e não a aparência ou a idade, um bom número de  pessoas que sofrem discriminação, poderão mostrar que valem muito mais do que aquilo que a sua figura externa mostra. 

Fernanda R-Mesquita
(foto, Edmonton- dezembro- 2011)



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