´´ A princesa sem rosto ``




         - Já tive oportunidade de ler este conto: A princesa sem rosto - efectivamente uma história muito diferente, cujo cenário é baseado na era medieval bem como a fantasia é uma patente neste conto.
        No entanto, o conteúdo em si é muito importante: a difícil arte de sermos nós próprios.
A princesa ao retirar o rosto, procura afastar qualquer possível pretendente - à prior de ser o futuro rei (um cargo que qualquer rapazinho gostaria de ter, não importa o resto) -  em prol de um objectivo criado pelo Rei: manter o reino...
Na realidade a fila enorme de gente que ali se encontrava à espera de ser atendido pelo rei é muito similar ao que encontramos na realidade de hoje em dia: quantas e quantas vezes as pessoas não esquecem as suas raízes e conceitos da vida para se tornarem agradáveis a outros? Quantas pessoas não vivem a vida de outras pessoas, ou seja, não me refiro a cusquices mas sim a indivíduos tentam alcançar o protótipo que a sociedade exige, são indivíduos que vivem com medo da rejeição, vivem um mundo de aparências, assumem variadíssimos papéis por forma a manter simulações, no fundo; criam máscaras.
        Onde fica o verdadeiro EU neste cenário imposto pela sociedade?
Por outro lado, considero que não apenas entidades externas nos obrigam a tomar posições, outras há que não nos dão a oportunidade de evoluir, de crescer, obrigamos-nos a deixar que segurem a caneta que vai escrever a historia da nossa vida.
       A princesa desta história impediu várias situações uma delas, retirou o rosto (claro pura fantasia, mas com muito sentido) adiando a sua própria felicidade, no entanto, ao vivenciarmos as historias correntes de hoje em dia, quantos de nós não adiamos a nossa felicidade em prol de contribuirmos para a felicidade dos outros, abdicamos de nós próprios porque achamos que outras situações/pessoas são mais importantes... e esta situação está presente neste conto: A princesa necessitou retirar o rosto, porque acima de tudo via-se como uma Mulher independente, determinada, com objectivos não de ser Rainha, não ´queria ser vista como uma "expressão fabricada pela sociedade" queria que procurassem sim, a verdadeira essência que existia nela.
      Outra personagem interessante nesta história é o pisca-pisca um rapaz desinteressado do trono, curioso, não administrava qualquer talento até esse mesmo surgir na altura propícia: conhecer a princesa.. Ora bem, quando a natureza de um Homem é integra, este se esforça por preservar o seu ser, assumindo e não temendo qualquer tipo de punição, ouvindo e procurando saber os verdadeiras motivos porque algo aconteceu, enfrentando todo e qualquer desafio e ajudando a manter vivas todas e quaisquer razões pelas quais uniu a sua força, coragem e determinação ao amor que sentiu e conheceu. O pisca-pisca mostra-nos que qualquer outro terá os seus defeitos, mas nenhuma das suas virtudes.
      A vida encontra sempre um caminho e este foi-nos mostrado por qualquer uma das personagens desta história.
      O Rei por exemplo, ainda não tinha aprendido a ouvir, tal como muitos de nós, temos objectivos que exigem de nós aquilo que não somos capazes de dar.
É árdua a tarefa de sermos nós próprios inclusive num processo de reconstrução, sofremos várias influências: familiares, escolares, religiosas, sociais, profissionais, etc. Na maioria das vezes, e para alguns reconstruir, é entrar pelo caminho mais curto, mesmo tendo consciência de que está errado e sofrendo exigências ou alterações impostas pela sociedade, a uma determinada altura da nossa vida, não temos objectivos... perdemos-nos a nós próprios, perdendo tudo ao nosso redor porque vivemos uma ilusão e pior o medo é um instrumento que limita o nosso talento. Deveríamos compreender que aquilo que não é para nós, não é que não esteja à altura, (não sabemos porque como já referi a vida encontra um caminho), mas sim, que ainda não estamos preparados para receber, em virtude, de nos faltar um pouco mais de esforço e luta para sermos autênticos.
     Com isto não quer dizer que a mudança em nós não seja benéfica, óbvio que sim, tendo consciência que é inevitável desde que seja para o nosso bem-estar e desenvolvimento pessoal, pois assim teremos a capacidade de dar rédeas soltas aos nossos talentos. Aceitar as nossas qualidades e defeitos é um passo para conseguirmos atingir os nossos objectivos com integridade e respeito pelos outros, como diria alguém: ontem eu era inteligente, queria mudar o mundo, hoje sou sábio, mudei-me a mim mesmo.


Cármen Dolores

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