O mundo On-line



Que loucura,
eles gostam mais do mundo On-line
do que de ele dela e ela dele!
Avizinha-se a noite,
ela faz o jantar e prepara a mesa.
Ele chega, toma um banho,
senta-se na sua cadeira habitual
e inclina-se sobre o prato,
onde concentra todos os seus movimentos e emoções,
disposto a satisfazer o seu apetite.
Fala por enigmas... quando fala.
Bebem o café no sofá
enquanto se apegam
aos seus computadores,
como se na hora,
que deveria ser o destaque do dia, entre os dois,
preenchessem apenas as exigências da vida
e ficassem mais longe um do outro.
Abrem o olhar,
num comovente sentimento
que raramente dedicam um ao outro.
Divinizam, enobrecem,
conjecturam sobre presenças vagas
e abrem emoções
a essas criaturas incertas,
como insígnias dos seus sorrisos e sonhos.
Ficam assim, ela e ele,
emaranhados
no enredo desordenado da casa
a que chamam lar,
enquanto se desassociam da própria união
e arriscam-se em circuitos electrónicos,
onde a intervenção humana
calcula e escolhe
a sua melhor actuação.
Que tristes são!
A solidão a que se deram
repele o prazer terno de outrora.
Entramos na era, onde o Homem sente mais prazer
na afeição que não exige nada
e abdica do contacto físico.
Será  medo,
ou será a busca do ser perfeito,
que só poderá existir,
enquanto só ocupar o mundo virtual?

Fernanda R-Mesquita


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