Leitura de ´´ Cartas a Cassandra ``




Abrir o livro ´´ Cartas a Cassandra `` e embrenhar-me na leitura de cada história, foi como entrar num salão de espelhos, onde a realidade camuflada de diferentes camadas sociais, está exposta sem ´´mas`` nem ´´ porquês``.  E porque a autora acredita em verdades  insofismáveis, assim ela aborda e desmascara, de modo destemido, a ´´face oculta`` de muitos personagens. Cada página é um espelho impressionante e comum a muitos de nós. Imagino uma careta por parte do leitor enquanto pensa: não, nada nesse livro me diz respeito. Por outro lado, talvez admita que, apesar de tudo, em alguma parte do livro, você está lá. Eu estou. E é muito bom, lermos um livro, que nos encontra, antes de nos reconhecermos em determinada página. Quando falo que todos nós estamos lá, em algum espelho do livro, não significa que sejamos ladrões ou assassinos, mas que tudo isso vive mesmo ao nosso lado e tentamos ignorar. Normal. Cada ser humano segue o seu percurso. Em cada etapa todos nós passamos por angústias, sentimos medo e fugimos de sombras. Uns mais rápidos, outros mais lentos. Cabe aos mais fortes não julgar os mais fracos. E talvez aí, os personagens de Ely, aqueles que dão vida às trevas, possam derrubar o espelho e entrar num mundo de luz. Mesmo não sendo ladrão, assassino, pedófilo, violador, quem já não sofreu de traumas, de solidão? Quem já não se irritou? Quem já não sentiu a vida como um labirinto sem saída? Para mim, Cartas a Cassandra é um alerta, um convite para atravessarmos a porta e reconhecermos que a vida é feita de dúvidas, lacunas, fraquezas e forças. Que todos nós não somos apenas isto ou aquilo. Somos a reunião de vários sintomas, construídos pelo meio ambiente onde crescemos e, o mais grave, frequentemente permitidos e alimentados pelo nosso ´´ Síndrome de Estocolmo ``. Se tivermos a coragem para nos analisarmos, decerto nos encontraremos refletidos nos espelhos deste salão, denominado ´´ Cartas a Cassandra``. 
                   Este livro não é um livro para ser lido apenas uma vez, mas para ´´ estar à mão `` para que cada história viva, para nos lembrarmos do mundo que nos rodeia. Lembrar, ter conhecimento, pode provocar ação; influenciar a melhorar a sociedade. E num possível mundo melhor, quem sabe, um dia a autora encontre razões para escrever sobre os mesmos personagens, inseridos numa dimensão superior. Uma dimensão mais feliz, mais aberta. 



Verdadeiramente agradecida pelo seu livro Ely

Fernanda R-Mesquita


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