Faz de conta


Joaninha acorda e espreita à janela
 vê  a neve, tão leve, a cair
e faz de conta que a terra branca é uma tela
onde passa um filme para rir.

Cria o Pinóquio a espreitar
e o seu nariz a crescer,
porque não resiste a inventar
que a neve está a derreter.

E  o pai Gepeto desesperado,
porque fez um boneco que mente
um pouco desalentado
 desabafa a tristeza que sente.

Não falta o Grilo falante
bem humorado e sábio amoroso
que explica num um ar elegante
como é feio ser mentiroso.

Joaninha olha um pouco mais à frente
 faltam os reis da festa, onde estarão?
Logo chega a Branca de Neve, tão contente
  seguida pelo Mestre anão.

E neste faz de conta encantado
seguem-se os outros seis anões
Soneca, Dengoso, Feliz, Atchim, Zangado
e Dunga, o único sem barba,
saltitando aos empurrões.

Num esconde- esconde engraçado,
riem os porquinhos do Lobo Ruim
que chora desesperado
e grita que a história não é assim.

Olha a Sininho que  voa tão bem,
atrás do Peter Pan, rápido, pois então,
assustando o Capitão Gancho que  tem,
um gancho no lugar  da mão.

Passa uma cabaça a correr
do conto "A velha e a cabaça",
mas a velha nem dá para ver,
de tão depressa que passa.

E são tantos,  os  que vão passando,
todos os que Joaninha imagina rindo
uns refilando, outros brincando
nos cristaizinhos que vão caindo.

Fernanda R-Mesquita


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