Aurora Boreal






















A noite consentiu que luzisses e que eu não dormisse
para que te visse
Lembrou-se, Galileu Galilei, de Aurora,
a deusa romana que se levantava todas as manhãs,
anunciando a chegada do amanhecer
e deu-te o nome de Aurora.
Lembrou-se também de Bóreas o deus grego,
comandante dos ventos frios do norte
e o teu sobrenome passou a ser Boreal.

Ora agora o galo dorme, não há vento
e tu és lanterna noturna...
Aurora, a deusa romana, deve estar dormindo
e Bóreas certamente tem os seus ventos
descansando sobre os mares da Grécia

 O deslumbramento abre-me as pálpebras
levando junto os cílios;
és um poema que dança sobre o lago
e para isso, comigo, palavras não trago
sinto o gosto de te ver
mas as palavras certas, não as sei dizer

Não és brisa, não és ruído e não tens perfume
mas és bela. Tão bela que o meu único queixume
é sentir a língua colada na ignorância
por não saber descrever a origem, de tão natural elegância

Escutei um zunzum entre as folhas de uma árvore;
pareciam elogiar a eloquência do sol, dos ventos solares
e de mais algumas combinações perfeitas do universo.
Eu embrenho-me na inocência  do povo Cree,
o povo  indígena,
que te chamava de "Dança dos Deuses"
ou considero-te um sinal divino,
como se vivesse na Idade Média

E tudo isto enquanto, Aurora, a deusa                                         
romana, deve estar dormindo 
e Bóreas certamente tem os seus  ventos 
descansando sobre os mares da Grécia
pois agora o galo dorme,
não há vento e tu és lanterna noturna 
abrindo-me as pálpebras,  
levando junto os cílios,
deslumbrados...

Que bom sofrermos as duas de insónia!

 

                   
Fernanda R-Mesquita
fotos pessoais
Aurora boreal, Edmonton, 9 de Setembro- meia noite
Av 153- rua 139



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