Aquela estrela
















Já longe do dia,
a noite de braços estendidos
ia escurecendo o céu sobre a aldeia,
que se tornava lentamente vazia...
A névoa, dançando misteriosa
escondia
a lua e as estrelas
na nuvem  silenciosa...
Então que estrela era aquela
que solitária e solidária
brilhava naquela janela?

Entre os montes,na casa caiada de branco
o homem descansava no travesseiro a sua mágoa
enquanto a mó da azenha se movia na água...
O moleiro enfarinhado
mas atento,
vigiava o vento
que galopava nas velas do moinho, determinado
a vencer  a névoa que dançava misteriosa,
escondendo
a lua e as estrelas
na nuvem  silenciosa...
Então que estrela era aquela
que solitária e solidária
brilhava naquela janela?

Os pinhais desciam e abraçavam os caminhos,
as aves acomodavam-se nos ninhos,
o galo marcava  no poleiro
um lugar distinto no galinheiro
enquanto o cão vigilante
abanava a cauda curioso
pelo movimento silencioso
da nuvem que escondia
a lua e as estrelas
num lugar misterioso...
Então que estrela era aquela
que solitária e solidária
brilhava naquela janela?


A chuva miudinha tocada pelo vento,
de braço dado
com o galho que trazia orvalhado,
espreitaram pela vidraça
e acharam graça;
descobriram através da janela baça,
que lá dentro, uma menina
bem aconchegada,
ainda acordada,
ainda traquina,
ria,
porque ela sabia
que estrela era aquela
que brilhava na janela
até chegar a madrugada...

Era a mecha da lamparina
que se mantinha naquele canto,
que como por encanto
afugentava os fantasmas noturnos da menina.

E desde que a noite estendera os braços
até o dia clarear
a inocente alma
dormia calma
porque a mecha da lamparina
dançando, dançando adormecia
a traquina menina,
até que a avó, no lar harmonioso,
num passo silencioso,
quando pressentia a luz do dia
ainda menina,
chegava e apagava
a luz da lamparina
e eu acordava
menina... menina... tão menina!

Fernanda R-Mesquita


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